Pular para o conteúdo
Voltar para Orações
Séc. XX · Revelação a Santa Faustina Kowalska

Terço da Divina Misericórdia

Diário da Divina Misericórdia, Santa Faustina Kowalska (1930s) · promovido por São João Paulo II

(Reza-se com um terço comum, substituindo as orações habituais) No Pai-Nosso: Pai Eterno, eu Vos ofereço o Corpo e Sangue, a Alma e Divindade de Vosso diletíssimo Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, em expiação dos nossos pecados e do mundo inteiro. Em cada Ave-Maria (10 vezes): Pela Sua dolorosa Paixão, tende misericórdia de nós e do mundo inteiro. Ao final de cada mistério (3 vezes): Deus Santo, Deus Forte, Deus Imortal, tende piedade de nós e do mundo inteiro.

Divisão em partes

"Pai Eterno, eu Vos ofereço o Corpo e Sangue, a Alma e Divindade de Vosso diletíssimo Filho"
Explicação

Rezada nas contas do Pai-Nosso, esta é a oferta central: não apresentamos nossos próprios méritos ao Pai, mas o próprio Cristo, presente na Eucaristia.

Contexto bíblico

Ecoa a lógica de Hebreus 9:12 — Cristo entrou "uma vez por todas" no santuário, oferecendo o próprio sangue para obter redenção eterna.

Significado teológico

Reflete o coração da espiritualidade eucarística católica — todo pedido de graça se apoia no único sacrifício perfeito de Cristo, oferecido "em expiação" pelos pecados do mundo.

"Pela Sua dolorosa Paixão, tende misericórdia de nós e do mundo inteiro"
Explicação

Repetida em cada Ave-Maria do terço, é o refrão central: pedimos misericórdia invocando explicitamente o sofrimento de Cristo na Paixão.

Contexto bíblico

Recorda Isaías 53:5 — "pelas suas chagas fomos sarados" — profecia da Paixão lida pela tradição cristã desde o início.

Significado teológico

Une o pedido de misericórdia pessoal ("de nós") à intercessão por toda a humanidade ("do mundo inteiro") — a misericórdia pedida nunca é só privada.

"Deus Santo, Deus Forte, Deus Imortal, tende piedade de nós e do mundo inteiro"
Explicação

Fórmula do Trisagion ("Três vezes Santo"), uma das aclamações mais antigas da liturgia cristã, oriental e ocidental, dirigida à Santíssima Trindade.

Contexto bíblico

Inspirada no clamor dos serafins em Isaías 6:3 — "Santo, Santo, Santo é o Senhor dos Exércitos" — retomado em Apocalipse 4:8.

Significado teológico

Ao encerrar cada mistério com esta aclamação trinitária, a coroa liga a devoção da Divina Misericórdia à adoração mais antiga e universal da Igreja.

Contexto histórico

A devoção nasceu das revelações que a religiosa polonesa Santa Faustina Kowalska (1905-1938) registrou em seu Diário, nas quais Jesus se apresentava como a Divina Misericórdia. A devoção foi examinada com cautela pela Igreja — chegou a ser restrita entre 1959 e 1978 por uma tradução imprecisa dos escritos — até ser plenamente aprovada. Foi o Papa João Paulo II, também polonês e grande devoto de Santa Faustina, quem a canonizou em 2000 e instituiu, no mesmo ano, o Domingo da Divina Misericórdia (primeiro domingo depois da Páscoa).

Significado espiritual

A oração pede misericórdia ao Pai não com base em nossos méritos, mas oferecendo o próprio sacrifício de Cristo na cruz — daí a fórmula "eu Vos ofereço o Corpo e Sangue... de Vosso Filho". É tradicionalmente rezada às 15h, a "Hora da Misericórdia", que a tradição associa ao momento da morte de Jesus na cruz.

Recursos complementares

📖 Diário de Santa Faustina Kowalska — 'A Divina Misericórdia na Minha Alma'São João Paulo II, homilia de canonização de Santa Faustina (30/04/2000)Catecismo da Igreja Católica §1846 — a misericórdia de Deus