Salve-Rainha
Atribuída a Hermano de Reichenau (séc. XI) · uma das quatro grandes antífonas marianas da liturgia
Salve Regina, Mater misericordiae, vita, dulcedo, et spes nostra, salve. Ad te clamamus, exsules filii Evae. Ad te suspiramus, gementes et flentes in hac lacrimarum valle. Eia ergo, advocata nostra, illos tuos misericordes oculos ad nos converte. Et Iesum, benedictum fructum ventris tui, nobis post hoc exsilium ostende. O clemens, O pia, O dulcis Virgo Maria.
Salve, Rainha, Mãe de misericórdia, vida, doçura e esperança nossa, salve! A vós bradamos, os degredados filhos de Eva. A vós suspiramos, gemendo e chorando, neste vale de lágrimas. Eia, pois, advogada nossa, esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei. E depois deste desterro, mostrai-nos Jesus, bendito fruto do vosso ventre, ó clemente, ó piedosa, ó doce sempre Virgem Maria. Rogai por nós, Santa Mãe de Deus, para que sejamos dignos das promessas de Cristo.
Divisão em partes
"Salve, Rainha, Mãe de misericórdia, vida, doçura e esperança nossa, salve"
Saudação inicial que reconhece Maria como Rainha — por ser Mãe do Rei dos reis — e fonte de consolo para os cristãos.
Lucas 1,32-33, o anjo anuncia que o filho de Maria "reinará para sempre".
O título de "Rainha" não iguala Maria a Deus — deriva inteiramente de sua relação com Cristo Rei, como mãe do soberano.
"A vós bradamos, os degredados filhos de Eva... neste vale de lágrimas"
Reconhece a condição humana marcada pelo pecado original e pelo sofrimento da vida terrena, comparando-a a um exílio.
Gênesis 3,16-19, as consequências da queda de Adão e Eva.
Contrasta a "nova Eva" (Maria, que coopera com a redenção) com a Eva original — tradição patrística desde Santo Irineu de Lyon (séc. II).
"Eia, pois, advogada nossa, esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei"
Pede a intercessão maternal de Maria, chamando-a "advogada" — quem defende a causa de alguém.
João 19,26-27, Jesus na cruz confia Maria como mãe ao discípulo amado, e nele, à humanidade.
O título "advogada" (já usado por Santo Irineu) não compete com Cristo, único Mediador — Maria intercede junto a Ele, como mãe.
"E depois deste desterro, mostrai-nos Jesus... ó doce sempre Virgem Maria"
O pedido final e mais importante: que Maria conduza os fiéis a Jesus, especialmente na hora da morte.
João 2,5, em Caná, Maria diz aos servos: "fazei tudo o que Ele vos disser".
Toda mediação de Maria é radicalmente cristocêntrica; ela nunca substitui Jesus, sempre conduz a Ele.
Contexto histórico
Composta provavelmente pelo monge beneditino Hermano Contracto (Hermannus Contractus), no mosteiro de Reichenau, na Alemanha, por volta de 1050. Tornou-se uma das quatro antífonas marianas oficiais cantadas ao final da Liturgia das Horas (junto com Alma Redemptoris Mater, Ave Regina Caelorum e Regina Caeli), e é a oração que tradicionalmente encerra o Rosário.
Significado espiritual
Reza a condição humana como "exílio" após a queda (referência a Eva) e pede a Maria, Mãe misericordiosa, que interceda para que, ao fim da vida, os cristãos contemplem Jesus — expressa profunda confiança na intercessão maternal de Maria em meio às dificuldades da vida.