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Popularmente atribuída a São Francisco de Assis; autoria histórica real ainda incerta

Oração de São Francisco (Fazei de mim um instrumento de vossa paz)

Primeira publicação conhecida: revista francesa La Clochette, 1912 (autor anônimo)

Texto disponível apenas em português

Senhor, fazei de mim um instrumento de vossa paz. Onde houver ódio, que eu leve o amor; onde houver ofensa, que eu leve o perdão; onde houver discórdia, que eu leve a união; onde houver dúvida, que eu leve a fé; onde houver erro, que eu leve a verdade; onde houver desespero, que eu leve a esperança; onde houver tristeza, que eu leve a alegria; onde houver trevas, que eu leve a luz. Ó Mestre, fazei que eu procure mais consolar, que ser consolado; compreender, que ser compreendido; amar, que ser amado. Pois é dando que se recebe, é perdoando que se é perdoado, e é morrendo que se vive para a vida eterna.

Divisão em partes

"Onde houver ódio, que eu leve o amor... onde houver trevas, que eu leve a luz"
Explicação

Uma série de pedidos concretos para tornar-se, em cada situação negativa, um canal ativo da realidade oposta e boa.

Contexto bíblico

"Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus" (Mateus 5:9).

Significado teológico

Reflete o chamado batismal a "vencer o mal com o bem" (Rm 12,21), não apenas evitando o mal, mas semeando ativamente seu contrário.

"Fazei que eu procure mais consolar, que ser consolado; compreender, que ser compreendido; amar, que ser amado"
Explicação

Inverte o instinto natural de buscar primeiro ser atendido, propondo antes tomar a iniciativa do amor e da atenção ao outro.

Contexto bíblico

"Amai-vos uns aos outros; assim como eu vos amei" (João 13:34).

Significado teológico

Ecoa o esvaziamento de si (kênosis) de Cristo, que "não veio para ser servido, mas para servir" (Mc 10,45), como modelo de toda caridade cristã.

"É morrendo que se vive para a vida eterna"
Explicação

Conclusão pascal da oração: a entrega de si — inclusive até a morte — não é perda, mas o caminho para a vida plena.

Contexto bíblico

"Se o grão de trigo não cai na terra e não morre, fica ele só; mas, se morre, produz muito fruto" (João 12:24).

Significado teológico

Resume o mistério pascal: só ressuscita quem primeiro morre para si mesmo (Catecismo §1010).

Contexto histórico

Apesar do nome pelo qual é mundialmente conhecida, esta oração **não foi escrita por São Francisco de Assis** (1181-1226) — nenhum manuscrito ou testemunho medieval a atribui a ele. O texto mais antigo hoje localizado é anônimo, em francês, publicado em 1912 na pequena revista espiritual "La Clochette", em Paris, sob o título "Belle prière à faire pendant la messe". Sua ligação com Francisco só aparece décadas depois, popularizada sobretudo após a Primeira Guerra Mundial e ainda mais no pós-1945, quando líderes como o Papa João XXIII e o Papa Francisco a citaram publicamente. A atribuição é, portanto, uma tradição devocional consolidada pelo uso — e não um fato histórico comprovado —, mas o conteúdo da oração está em plena sintonia com o espírito franciscano de pobreza, humildade e paz.

Significado espiritual

A estrutura da oração é toda construída sobre antíteses — ódio/amor, discórdia/união, trevas/luz — pedindo a graça de ser, em cada situação de conflito, um agente ativo do bem contrário. A virada final ("é dando que se recebe, é perdoando que se é perdoado, e é morrendo que se vive") resume a lógica pascal do Evangelho: só se ganha a vida verdadeira entregando-a.

Recursos complementares

La Clochette (Paris), edição de dezembro de 1912 — primeira publicação conhecidaDiscursos do Papa Francisco e do Papa João XXIII citando a oração📖 Mateus 5:9 — 'Bem-aventurados os que promovem a paz'