Credo (Símbolo dos Apóstolos)
Resumo da fé apostólica, usado desde os primeiros séculos na iniciação cristã
Credo in Deum Patrem omnipotentem, Creatorem caeli et terrae. Et in Iesum Christum, Filium eius unicum, Dominum nostrum, qui conceptus est de Spiritu Sancto, natus ex Maria Virgine, passus sub Pontio Pilato, crucifixus, mortuus, et sepultus, descendit ad inferos, tertia die resurrexit a mortuis, ascendit ad caelos, sedet ad dexteram Dei Patris omnipotentis, inde venturus est iudicare vivos et mortuos. Credo in Spiritum Sanctum, sanctam Ecclesiam catholicam, sanctorum communionem, remissionem peccatorum, carnis resurrectionem, vitam aeternam. Amen.
Creio em Deus Pai todo-poderoso, criador do céu e da terra. E em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor, que foi concebido pelo poder do Espírito Santo, nasceu da Virgem Maria, padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado, desceu à mansão dos mortos, ressuscitou ao terceiro dia, subiu aos céus, está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso, donde há de vir a julgar os vivos e os mortos. Creio no Espírito Santo, na santa Igreja Católica, na comunhão dos santos, na remissão dos pecados, na ressurreição da carne, na vida eterna. Amém.
Divisão em partes
"Creio em Deus Pai todo-poderoso, criador do céu e da terra"
Primeiro artigo: afirma um só Deus, Pai, onipotente, origem de tudo o que existe, visível e invisível.
Gênesis 1,1: "No princípio, Deus criou o céu e a terra".
Base do monoteísmo cristão e da doutrina da criação a partir do nada (creatio ex nihilo) — nada existe que não dependa de Deus.
"E em Jesus Cristo... nasceu da Virgem Maria... foi crucificado, morto e sepultado, ressuscitou ao terceiro dia"
Resume toda a vida de Cristo — encarnação, paixão, morte e ressurreição — o centro da fé cristã.
1 Coríntios 15,3-4: "Cristo morreu por nossos pecados... foi sepultado, ressuscitou ao terceiro dia".
Afirma simultaneamente a divindade (concebido do Espírito Santo) e a humanidade real de Cristo (sofreu, morreu de fato), contra heresias antigas que negavam uma ou outra.
"Subiu aos céus, está sentado à direita de Deus Pai... donde há de vir a julgar os vivos e os mortos"
Cristo ressuscitado reina glorioso junto ao Pai e voltará no fim dos tempos para julgar toda a humanidade.
Atos 1,9-11, a Ascensão de Jesus; Mateus 25,31-32, o anúncio do juízo final.
Afirma a realeza universal de Cristo e a dimensão escatológica da fé — a história caminha para um fim definido por Deus, não para o nada.
"Creio no Espírito Santo, na santa Igreja Católica, na comunhão dos santos"
Professa a terceira Pessoa da Trindade e a Igreja como comunidade de todos os fiéis, vivos e falecidos, unidos em Cristo.
João 14,26, a promessa do Espírito Santo; Efésios 4,4-5: "um só corpo e um só Espírito".
A Igreja não é apenas instituição humana, mas realidade espiritual sustentada pelo Espírito Santo e pela comunhão entre todos os santos, no céu e na terra.
"Na remissão dos pecados, na ressurreição da carne, na vida eterna. Amém"
Conclui afirmando o perdão oferecido por Deus, a ressurreição final dos corpos e a vida eterna como destino do cristão.
João 11,25-26: "Eu sou a ressurreição e a vida"; Apocalipse 21,4.
A salvação cristã não é só da alma: é de toda a pessoa — corpo e alma — na vida eterna prometida por Deus.
Contexto histórico
Suas raízes estão nas fórmulas batismais das comunidades cristãs do século II — Inácio de Antioquia e Irineu de Lyon já citam resumos de fé parecidos. A tradição popular atribui aos 12 apóstolos, cada um contribuindo com um artigo (lenda simbólica medieval, não um relato histórico). A forma latina fixa que conhecemos hoje aparece consolidada na Gália por volta do século VIII e foi depois adotada por Roma.
Significado espiritual
Professar o Credo é repetir a fé recebida dos apóstolos, não uma opinião pessoal. É rezado no Batismo — como resposta às perguntas feitas ao candidato ou aos padrinhos — e continua central na iniciação cristã e na catequese até hoje.