Confiteor (Eu Confesso)
Missal Romano, Rito da Missa — Ato Penitencial (fórmula pós-conciliar, 1969)
Confiteor Deo omnipotenti et vobis, fratres, quia peccavi nimis cogitatione, verbo, opere et omissione: mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa. Ideo precor beatam Mariam semper Virginem, omnes Angelos et Sanctos, et vos, fratres, orare pro me ad Dominum Deum nostrum.
Eu confesso a Deus todo-poderoso e a vós, irmãos e irmãs, que pequei muitas vezes por pensamentos e palavras, atos e omissões, por minha culpa, minha tão grande culpa. E peço à Virgem Maria sempre Virgem, aos Anjos e Santos, e a vós, irmãos e irmãs, que rogueis por mim a Deus, nosso Senhor.
Divisão em partes
"Pequei muitas vezes por pensamentos e palavras, atos e omissões"
Reconhece que o pecado não se limita a atos externos: nasce também no pensamento, na palavra, e pode consistir em deixar de fazer o bem devido (omissão).
"Aquele, pois, que sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado" (Tiago 4:17).
Reflete a doutrina de que o pecado abrange pensamento, palavra, ação e omissão (Catecismo §1853), e que a consciência deve ser examinada em todas essas dimensões.
"Minha culpa, minha culpa, minha tão grande culpa"
A repetição, acompanhada do gesto de bater no peito, expressa reconhecimento pessoal e sincero da própria responsabilidade pelo pecado, sem transferi-la a terceiros ou às circunstâncias.
"O publicano... batia no peito, dizendo: Ó Deus, tende piedade de mim, que sou pecador" (Lucas 18:13).
Expressa a contrição do coração, condição necessária para a verdadeira conversão (Catecismo §1451), diante de Deus antes de qualquer outra reparação.
"Peço... que rogueis por mim a Deus, nosso Senhor"
A confissão termina não em isolamento, mas pedindo a intercessão de Maria, dos santos e da própria assembleia reunida — o pecado pessoal é trazido diante de toda a comunhão eclesial.
"Orai uns pelos outros, para serdes curados. Muito pode, na sua ação, a oração fervorosa do justo" (Tiago 5:16).
Manifesta a comunhão dos santos: os fiéis na terra, os santos no céu e os anjos formam um só corpo que intercede uns pelos outros (Catecismo §946-962).
Contexto histórico
O Confiteor é uma das partes mais antigas do Ato Penitencial da Missa romana, com fórmulas de confissão comunitária de pecados já presentes em ordinários da Missa desde a Idade Média. A versão usada antes do Concílio Vaticano II era mais longa, rezada duas vezes (pelo padre e depois pelo povo), invocando uma longa lista de santos. A reforma litúrgica de 1969 simplificou o texto para a forma atual, mais breve e dita uma só vez por todos, mantendo porém o gesto tradicional de bater no peito ao dizer "minha culpa, minha tão grande culpa" — um sinal físico de contrição que remonta ao gesto do publicano no Evangelho de Lucas.
Significado espiritual
É uma confissão comunitária e genérica de pecado — distinta da confissão sacramental individual —, rezada no início da Missa como preparação para participar dignamente dos mistérios sagrados. A tríplice repetição "minha culpa" (acompanhada do gesto de bater no peito) intensifica o reconhecimento da própria responsabilidade, evitando desculpas ou minimização do pecado. A oração termina pedindo a intercessão de Maria, dos anjos, dos santos e dos próprios irmãos presentes — expressão concreta da comunhão dos santos, na qual ninguém enfrenta o pecado sozinho.