São Justino Mártir
No dia do sol, reunimo-nos todos
Filósofo e Mártir (c. 100–165) · Primeira Apologia (Apologia I, 67)
"No dia chamado do sol, reúnem-se num mesmo lugar todos os que habitam nas cidades ou nos campos, e leem-se os escritos dos apóstolos ou dos profetas, enquanto o tempo permite."
Justino foi um filósofo pagão convertido ao cristianismo que continuou, depois da conversão, a se identificar como filósofo — via no cristianismo a filosofia mais verdadeira de todas. Por volta do ano 155, dirigiu ao imperador Antonino Pio uma “Apologia” (defesa) do cristianismo, explicando suas crenças e práticas para desfazer calúnias comuns na época, como acusações de canibalismo ritual ou imoralidade.
Nos capítulos 65 a 67 dessa obra está a descrição mais antiga e detalhada que se conhece de uma celebração eucarística cristã fora do Novo Testamento: leitura das memórias dos apóstolos ou dos profetas, uma homilia do presidente da assembleia, orações comunitárias, o beijo da paz, a oferenda do pão e do vinho, a ação de graças, e a distribuição da comunhão — inclusive aos ausentes, por meio de diáconos. É impressionante como essa estrutura, descrita há quase dezenove séculos, ainda é reconhecível na Missa católica de hoje.
Fontes: Catecismo da Igreja Católica §1345, que cita esta mesma passagem ao descrever a estrutura da celebração eucarística · São Justino Mártir, Primeira Apologia, 65-67 (o testemunho mais antigo e detalhado sobre a Missa dominical)