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2026-07-31Evangelho: Mt 13,54-58

São João Crisóstomo

Um profeta não é sem honra, senão em sua terra

Bispo de Constantinopla (c. 347–407) · Homilias sobre o Evangelho de Mateus, Homilia 48 (cf. In Matthaeum, Homilia 48)

"Não foi a falta de sinais que os fez tropeçar, mas o excesso de familiaridade: por conhecerem sua origem humilde, recusaram-se a admirar nele o que era, de fato, admirável."

Continuando sua exposição contínua de Mateus, Crisóstomo chega ao episódio em que Jesus volta a Nazaré, ensina na sinagoga local — e é recebido com desconfiança pelos próprios vizinhos, que se perguntam: “Não é este o filho do carpinteiro? Não conhecemos sua mãe e seus irmãos?” O texto grego usa um verbo forte para descrever a reação deles: “escandalizavam-se” — tropeçavam, recusavam-se a aceitar.

Crisóstomo insiste que o problema não estava na falta de evidências: os nazarenos tinham diante de si a mesma sabedoria e os mesmos sinais que impressionavam outras cidades. O que os cegou foi exatamente o oposto — a familiaridade. Por terem visto Jesus crescer, carregavam uma imagem fixa dele, e essa imagem tornou-se um obstáculo a reconhecer nele algo maior. Crisóstomo usa o episódio como advertência mais ampla: a proximidade cotidiana com pessoas, tradições ou verdades religiosas pode, paradoxalmente, embotar a capacidade de se surpreender diante delas — um risco tão presente entre cristãos praticantes de longa data quanto era entre os vizinhos de Nazaré.

Fontes: Catecismo da Igreja Católica §156, sobre os sinais que acompanham a revelação · São João Crisóstomo, Homilias sobre o Evangelho de Mateus (Patrologia Graeca 58)