Por que a Igreja Católica só ordena homens celibatários?
São duas disciplinas diferentes: a ordenação reservada a homens é entendida como fidelidade ao exemplo de Jesus, que escolheu apenas homens como apóstolos; o celibato não é dogma, mas uma disciplina eclesiástica do rito latino (igrejas orientais católicas ordenam homens casados), justificada como sinal de doação total a Deus e à Igreja.
Resposta completa
Essa dúvida na verdade envolve duas questões distintas, com fundamentos diferentes.
Por que só homens? A Igreja ensina que reserva o sacerdócio ministerial a homens não por considerar as mulheres inferiores ou incapazes, mas por fidelidade ao exemplo concreto de Jesus: mesmo cercado por discípulas fiéis e destacadas (como Maria Madalena, primeira testemunha da Ressurreição), Jesus escolheu apenas homens entre os Doze Apóstolos — uma escolha livre e deliberada, não um mero reflexo dos costumes culturais da época, já que Jesus rompeu com vários outros costumes do seu tempo em relação às mulheres. O Papa João Paulo II declarou formalmente, em 1994, que a Igreja “não tem de modo algum a faculdade” de ordenar mulheres, situando essa prática como parte do depósito da fé recebido dos apóstolos, não como uma opção disciplinar mutável.
Por que celibato? Diferente da questão anterior, o celibato sacerdotal não é dogma, mas uma disciplina eclesiástica — por isso pode variar. As Igrejas Católicas Orientais (como a ucraniana ou a maronita, plenamente em comunhão com Roma) ordenam normalmente homens casados como padres diocesanos; e mesmo no rito latino (o mais comum no Ocidente), há exceções históricas, como ex-padres anglicanos casados que se convertem e são ordenados.
A justificativa teológica do celibato no rito latino se apoia em palavras do próprio Jesus sobre “os que se fizeram eunucos por causa do Reino dos céus” (Mt 19,12) e em São Paulo, que recomenda o celibato como um estado que permite dedicação “sem divisão” às coisas do Senhor (1Cor 7,32-35). O padre celibatário é entendido como sinal visível de uma doação total e exclusiva a Deus e à Igreja, à imagem de Cristo, que amou a Igreja como um esposo ama sua esposa (Ef 5,25-27) — mas, sendo disciplina, poderia em princípio ser alterada por decisão da própria Igreja, o que não acontece com a reserva do sacerdócio a homens.